segunda-feira, 24 de abril de 2017

Opsanie Swiata - Veronica Stigger

Opisanie Swiata



E então Opalka,polonês,recebe uma carta de Natanael,seu filho que ele nem sabia existir,pedindo-lhe que venha para  O Brasil para vê-lo antes que morra,pois está com uma doença desconhecida e está se debilitando.Opalka vem e durante o trajeto, de trem e de navio, cruza com umas figuras estranhas,um que o acompanha até o fim da sua viagem e passam por situações também esquisistas,mas não é isso que importa e sim que a viagem termine ,só que não acontece o encontro,Opalka chega depois da morte do filho e com a eclosão da guerra ,também não pode voltar para a Polônia.Só aí temos uma marcação de tempo mais específica,até então  só se sabia que era no século XX - uma série de cartões postais,programas de navio e algumas fotos são os indícios e sim,é uma edição caprichada da falecida CosacNaify - também não se tem passado de nenhum personagem,o que se sabe é o que vai aparecendo no desenrolar do enredo - um texto curto e recheado de "extras" como dito acima.Leitura de uma sentada e tinha tudo para ser ruim é não foi!Gostoso de ler,rápido e sem enrolação,uma surpresa(comprei numa das promoções da Amazon porque estava baratíssimo e sem saber nada do livro)


PS:o título é uma frase em polonês que o Opalka escreve já no finzinho da história

PS2:apesar do nome a autora é brasileira e o livro,recente,foi premiado - não tenho mais informação nenhuma a respeito

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Meu primeiro Nelson Rodrigues

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A frase título é uma daquelas que muita gente repete mas não sabe a origem e nem de quando ficou famosa.Pois é,Nelson Rodrigues foi o pai do teatro "moderno" no Brasil,chocou  os conservadores e colocou a vida da classe média -média baixa  urbana na berlinda.A Fernanda Montenegro em mais de uma entrevista conta o que foi encenar Nelson Rodrigues,a fúria que encaravam, a hostilidade de parte da platéia,fora a censura e as críticas pesadas.
O texto é apresentado como uma farsa e a crítica às hipocrisias sociais impera,mas é um texto datado(primeira apresentação em 1957,60 anos atrás),tem falas eminentemente machistas(tipo a mulher gosta de apanhar e coisas do tipo)  e hoje em dia está totalmente ultrapassado.Valeu pra conhecer,mas não conseguiu ser nem engraçado nem crítico,acho que seu tempo já passou,não tem sentido agora no séc XXI.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

E quando a gente já leu,lembra até da sensação,mas não se lembra dos livros?

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Essa coisa da gente ser leitor desde sempre deixa alguns cacoetes, chega uma hora em que, eu pelo menos,tenho certeza de já ter lido alguns autores,lembro da sensação da leitura,mas se me perguntar detalhes ,não vai sair nada.
Kafka,Clarice Lispector,Lygia Fagundes Telles,alguns livros do Érico Veríssimo(o Tempo e o Vento não,é marcante demais pra se esquecer e ainda teve a minissérie para ajudar a lembrar),e muitos mais ficaram pelo caminho,perdidos na memória ou na falta dela.Dino Buzatti,Aldous Huxley,tenho certeza que já li,não lembro uma linha!
Eu lembro da claustrofobia que me dava lendo Kafka,do desconforto dos textos da Clarice,mas se me perguntarem qual livro específico,sei falar da Metamorfose e da  Construção dele e da Hora da Estrela,dela,sendo que li muita coisa de ambos.
Graciliano Ramos também,sei que li alguns livros,mas ,diz se eu lembro?
Sei que não tem como a memória guardar tudo,mas não ficar nada é esquisito.Sou uma leitora atenta,mas leio muita coisa seguida,não fico sem ler a não ser um dia ou outro perdido no ano.
Daí eu penso,será que a memória "limpou" porque não entendi o que li?No caso da Lygia Fagundes Telles tenho quase certeza,eu era muito menina pra pegar o texto dela;da Clarice eu já li "adulta",e mesmo assim,foi pro brejo.E daqueles muitos que não gostei,por que raios eu lembraria?
Das leituras "do tempo de escola",funcionaram para a época,não tive problemas de compreensão e interpretação de textos,mas quem era Quincas Borba mesmo?Em compensação,a Aurélia Camargo é minha "ídola" desde sempre.
Do Eça,também,lembro de ter lido em seqüência os textos (como eu fazia com todos os autores que "pegava") e só ficou o Raposão da Relíquia na minha lembrança.Cadê o resto?

Será que estas histórias todas só "passaram" por mim,fizeram a sua parte e foram embora porque é assim que funciona?E por quê tanta gente lembra com tantos detalhes de leituras de outras épocas?Será que é por terem lido menos?Melhor?Ou registram as leituras,escrevendo,por exemplo(ou como os Booktubers que fazem vídeos?).

Daí,lembro também,eu não guardei os livros - já contei das minhas mudanças de casa e dos expurgos nas estantes para continuar a ter espaço para mais livros - não tinha como.Mas será que se ainda tivesse todo o acervo eu teria tempo para reler?Não tenho conseguido reler nem os que tenho aqui e tinha mais ou menos programado pra ler novamente!

Estranho "sentir saudade",ou uma nostalgia do que não lembro!Será que acontece com todo mundo?





segunda-feira, 17 de abril de 2017

E pra continuar....

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...a leitura dos Misérables tive que "mudar de livro".A esperta aqui tinha o vol I da Le livre de Poche e não tinha atentado que era só uma parte da história.Daí,taca fuçar nas livrarias online(não eu não vou numa livraria física há eras) e é lógico que não encontrei a "continuação" da mesma edição.Só achei(num bom preço e não em edição resumida) este Tome II da Pocket e....ele também não vai até o fim da história!Daí desencanei( encontrei quase de graça) e baixei a última parte no Kindle  - bem como uma versão integral em português para garantir qualquer possível "buraco" entre as minhas edições..Ufa!Esforço pra conseguir finalizar o quanto antes - é o tipo de leitura que,se parar,eu vou largar o livro - e olha que estou gostando apesar de tudo ,então,bola pra frente.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Lendo algo de "antes do Renascimento"?!Só que não.




Uma literatura antes "da literatura".Teatro é das coisas mais antigas que existem na humanidade e os  gregos(também os roomanos) são  os pais das escritas ocidentais, e pra incrementar um pouquinho as leituras e ler algo de tempo remotos(sugestão do Desafio Livrada!),escolhi este "livrinho",mas não atentei para o" tradução e adaptação",pois é ,o Millôr modernizou a coisa então,ao invés de versos como deveria ser,o texto passou para uma prosa e comum,não sei se só pra facilitar a leitura,espero que tenha mantido o espírito da coisa - como é uma comédia as "piadas" parecem todas saídas de algum humorístico,bem bobinhas algumas vezes;nada tem jeito de "antigo",por isso a dúvida quanto às modificações.
E do que se trata? De uma greve feita pelas mulheres para que os homens parem as guerras.Greve?!Sim,de sexo.E daí,dá-lhe piadinhas sobre lanças em riste,estado de sua ânsia,e muitos similares sobre os "estado" em que os homens ficaram.E dar papéis principais  ou com algum poder "para mulheres"(sendo que só homens eram atores) numa sociedade que as subjugava pode ser o que de interessante o texto traga - se bem que nas tragédias as mulheres também "apareciam"(vide Medéia, Jocasta no Édipo,entre outras).Mas não sei nada de teoria sobre teatro,é achismo puro.
Ou só porque este texto chegou até nós?Sim,2400 anos mais ou menos nos "afastam" do enredo,mas não ficou assim longe nesta tradução/atualização.
A leitura leva pouco menos de duas horas,talvez o tempo da encenação?Li "correntemente",só imaginei as "falas em coro" quando estas marcações apareciam - porque acho que é uma das diferenças  entre o teatro antigo e o moderno - e eu não sou "público de teatro",apesar de gostar assisti à pouquíssimas peças na minha vida,não sei das diferenças com a marcação e movimentação dos atores quais as mudanças de tempo aconteceriam.
No mais,é engraçadinha mas nada de matar de rir.Gostaria de ler uma versão que tivesse mantido a métrica original pra ver se a compreensão seria a mesma,porque esta leitura não trouxe nada de diferente de uma leitura de um texto atual,fugindo da proposta de ler algo de antes do renascimento.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

E os livros "como objeto"?

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Eu tenho livros de todos os jeitos possíveis:edições antigas de banca com capa dura,edições vindas de sebo,idem,edições simples mas que tem quase 30 anos que estão comigo e estão meio assim,livros de edições simples,mas de qualidade que não se deformaram com a leitura;dos meus franceses tem um bom número "de poche"(pocket, em papel simples quase jornal e com capa sem orelhas) ;livros com o maravilhoso papel pólen soft que tem um toque incrível ,fora que as folhas amareladas não cansam a vista, e livros de arte e /ou cinema que são lindos por si só.

Mas ultimamente me vejo tentada  com as edições que estão caprichadíssimas,capa dura,papel bom.Livro é gostoso de pegar,de cheirar de passar a mão - mas em alguns casos os preços são proibitivos e em outros,acho que não valem a pena principalmente porque existem boas edições e por preços camaradas.
A L&PM,a Cia de Bolso e a Saraiva de bolso são exemplos - os livros desta última,em promoção estavam a menos de 4 reais mês passado,como ignorar?

Daí é pensar na leitura só e simplesmente ,livro de bolso tem a diagramação conforme o tamanho da página e tem sempre letras pequenas numa "mancha"(a quantidade de texto) apertada - não não é legal,mas é possível.Atrapalha a leitura?Em textos menores não,mas lendo um calhamaço em pocket,ui,além da dor na mãos para aguentar o livro,ainda tem as letras espremidas - a vantagem fica só no preço mesmo.

Mas quando combina de ser uma edição de qualidade com um preço pagável,como resistir?As liquidações do acervo da Cosac Naify mostraram que se os preços enxutos tivessem sido praticados antes,talvez a editora continuasse a existir sem problemas.


E vendo através dos leitores de internet(que são os que eu tenho "acesso") ,esse mercado se não está em expansão,é um dos que cresce,com certeza e a maioria das editoras tem investido em caprichar mais nos seus volumes para agradar mais,é evidente(tirando os livros "capa de filme,o horror,o horror,o horror!).

Pra quem como eu lembra das edições ,por exemplo,da Paz e Terra ,da Brasiliense,da antiga Civilização Brasileira, que era o que existia nos anos 80/90 e que além da desgraça na diagramação,descolavam as páginas,este é um novo paraíso,o das edições "gostosas" de ler e de pegar,com marcador de fitilho ,folha de guarda e ilustrações,uma delícia!

Alguma coisa neste país tem que ser de qualidade e agradar,que sejam os livros.


segunda-feira, 10 de abril de 2017

entre tempos...

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Mais um livro pra intercalar as leituras - este é não ficção - e estava parado há tempos,virou um table book sem ser(ficou na mesinha lateral na sala à toa),mas é gostoso de ler e dá uma "limpada" na mente.E eu gosto de sair das ficções um pouco.


Lembrando:

Leitura "principal" Os Miseráveis"
Leitura interrompida no momento: os romans do Dumas(enquanto estava com os textos curtos estava bom e desde o último que li,começaram os textos mais longos daí dei um tempo)
Leitura desde o começo do ano:Tous les contes do Tolstói(também vai indo,devagarinho agora também porque começaram os textos mais longos)
Box Aventura:desta vez vou de Viagem ao centro da Terra e comprei as Aventuras de Tom Sawyer que estava "faltando" pro grupinho.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Por quê Victor Hugo é um clássico?

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Porque o danado "prende " a gente!!!!

Ô leitura lenta,sim,os tempos mortos e digressões dos Miseráveis fazem parte da obra e são famosos,mas só experimentando pra ter idéia e saber que,apesar deles, a leitura é boa,o enredo prende ,há cada acontecimento os personagens se envolvem mais entre si e sim,passamos por qualquer empecilho para descobrir o que vai acontecer com eles!
E este enredo principal supera a idade do livro e as motivações "de época" do autor,ele atinge a gente,nos importamos com o que vai acontecendo.isso porque já conheço a história através do cinema,imagine se não fosse bom?
Quando canso pego outra leitura "rápida",mas não dá pra largar o livrão.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Homens imprudentemente poéticos




Desta vez é uma aldeia pobre num Japão do passado(não definido),dois homens, um artesão de leques o outro oleiro.O primeiro vive com uma irmã cega e com uma criada,o segundo perde a mulher e faz do quimono que ela usava um estandarte para ainda ficar com algo da sua presença.
O artesão mata bichinhos para "ver o futuro" e além disso não suporta beleza,destrói o canteiro de flores que o oleiro havia criado no sopé da montanha,que aliás é conhecida por ser "a dos suicidas";pisa as violetas nativas;pega o quimono  e o esconde.Provacam-se os dois,mas vão levando a vida,um com uma raiva impotente,o outro,procurando embelezar sua solidão.O artesão "vende" a irmã para um homem de outra aldeia e a leva pela montanha deixando-a à espera de seu destino e da sua felicidade - ele não tem como saber disso e fica com mais  culpa por tê-la entregue.
O oleiro se embriaga,o artesão não consegue sair da sua raiva até que é "punido" por um monge e passa o castigo abraçado com seu medo,quase materializado.Passam-se mais alguns incidentes até que o artesão encontra uma forma de beleza que reproduz em seus leques,os quais não quer mais vender apesar da grande procura.O oleiro depois de receber de volta o quimono da mulher,usa-o nas chamas de seu forno,deixando que ela finalmente se vá por completo.
O artesão "cheio" da beleza,fura os olhos e passa a ser um "mendigo",o oleiro e ele passam a ter algum relacionamento.Tudo isso sob a montanha dos suicidas,seus animais e possíveis entidades.

Bonito?Por vezes ,sim.Tocante?Também.

Mas por que parece que eu não captei bem o espírito da coisa?Entendi as palavras,não compreendi o sentido total delas.É a tal da prosa "poética",não é direta ,é preciso mergulhar fundo na história e isso eu não consegui.


segunda-feira, 3 de abril de 2017

Descobri um "país" que lê?!?!

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Num país com o déficit educacional como o nosso eu tenho me impressionado com a população consumidora de livros que encontrei pela internet.Não,consumo não significa nem mais inteligência,nem mais cultura,nem melhores escolhas,mas pensando na realidade econômica da maioria,ter uma folga no orçamento destinada a livros,mesmo que sejam apenas de entretenimento,uau!Acho bárbaro!

Porque, se está difícil encher a geladeira,como encher uma estante ?


Eu lembro que mais ou menos a partir dos 14 anos,sempre que arranjava um dinheirinho dava um jeito pra comprar algum livro,mas era um aqui ,outro ali.Mas os que a escola pedia,minha mãe sempre deu um jeito de comprar,nunca ficamos sem.Depois,ela dava dinheiro para que comprássemos os livros que a Abril Cultural publicava e fizemos mais de uma coleção com os livros de banca de jornal - mas eram livros de "todos",não tinha essa de "meu".Mas a partir do momento que comecei a trabalhar, livros e filmes fizeram parte da minha cesta básica,nunca fiquei sem e minha biblioteca só cresceu,mesmo eu não tendo mantido o "acervo" durante todos esses anos(já falei dos expurgos que tive que fazer nas estantes há cada mudança de casa).Meus irmãos também são leitores desde sempre,cada um com seus gostos particulares - fora a formação escolar/profissional diferente.

Mas sei que nem pra todo mundo houve essa possibilidade,então ver as pessoas "consumindo livros" pra mim é uma coisa incrível,mostra que ao menos um lado do consumismo pode-se chamar de bom.Sei que vão argumentar que muito do que é comprado é lixo da indústria cultural,mas ao menos não são drogas químicas,nem bebidas,nem sei lá mais o que de ruim que também atrai as pessoas e só as bestializa mais- pra uma juventude exposta  a música e entretenimento em geral de baixíssima qualidade ,ler por si só é uma vitória.

Se divertir com livros foi sempre o "meu" divertimento e mesmo trabalhando em escola durante quase trinta anos  ,raramente encontrei alguém que também fosse leitor,para mim era uma "coisa" da minha família.

E lembrando que comecei com a Coleção Vaga Lume e fui acrescentando e ampliando(a meu ver), dá pra imaginar que estes leitores de best sellers também vão alcançar outros horizontes e vão continuar leitores,o que acho sensacional e uma prova que apesar  da educação ser o que é,as pessoas(uma parte ao menos) têm conseguido superar os entraves e ir melhorando como gente,sim,pois acho que quem lê está passos adiante de quem não lê - na minha vida inteira percebi as diferenças entre quem buscava informação e cultura e quem se contentava com a TV.
Ainda há esperanças !Alguma leitura é melhor que nada .